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(este artigo é uma tradução para Português do original publicado no site da American Psychological Association)

A Psicologia tem vindo a investigar os possíveis efeitos benéficos e prejudiciais do uso das redes sociais no desenvolvimento social, educacional, psicológico e neurológico dos adolescentes. Esta é uma área de pesquisa em rápida evolução e crescimento, com implicações para diversas partes interessadas (como jovens, pais, cuidadores, educadores, decisores políticos, profissionais e membros da indústria de tecnologia), que compartilham a responsabilidade de garantir o bem-estar dos adolescentes. Autoridades e legisladores documentaram a importância do tema e buscam ativamente orientações baseadas em evidências científicas.

As recomendações a seguir baseiam-se nas evidências científicas disponíveis até ao momento e nas seguintes considerações:

A. O uso de redes sociais não é inerentemente benéfico ou prejudicial para os jovens. A vida online dos adolescentes reflete e influencia sua vida offline. Na maioria dos casos, os efeitos das redes sociais dependem das características pessoais e psicológicas do adolescente e do seu contexto social — combinados com o conteúdo, os recursos ou as funcionalidades oferecidas pelas plataformas. Ou seja, os impactos variam, provavelmente, conforme o que os adolescentes veem e fazem online, as suas vulnerabilidades ou pontos fortes pré-existentes e os ambientes em que crescem.

B. As experiências online dos adolescentes são afetadas 1) pela forma como eles moldam o seu próprio uso das redes sociais (ex.: escolhendo quem seguir e curtir); 2) pelos recursos visíveis e ocultos integrados nas plataformas.

C. Nem todas as descobertas se aplicam igualmente a todos os jovens. As evidências científicas oferecem informações que, somadas ao conhecimento das particularidades de cada adolescente (pontos fortes, fragilidades e contexto), ajudam a tomar decisões personalizadas para cada jovem, família e comunidade.

D. O desenvolvimento adolescente é gradual e contínuo. Começa com mudanças biológicas e neurológicas antes da puberdade (por volta dos 10 anos) e estende-se até que as transformações no ambiente social (como relações familiares, escolares e entre pares) e neurológicas estejam completas (por volta dos 25 anos). O uso adequado das redes sociais deve considerar o nível de maturidade de cada adolescente (autocontrolo, desenvolvimento intelectual, compreensão de riscos, etc.) e o seu ambiente familiar. Como o amadurecimento dos adolescentes acontece em ritmos diferentes e não há dados que indiquem uma idade específica na qual os riscos e oportunidades das redes sociais deixam de os afetar, decorrem atualmente investigações para definir parâmetros mais precisos. De uma forma geral, os riscos tendem a ser maiores no início da adolescência — período de maiores transições biológicas, sociais e psicológicas — do que no final da adolescência e início da vida adulta.

E. O racismo está presente nas plataformas de redes sociais. A exemplo do que acontece na internet em geral, os algoritmos (que direcionam as experiências dos usuários, incluindo o conteúdo que veem) podem reproduzir séculos de políticas racistas e discriminação. As redes sociais podem tornar-se uma “incubadora” de ódio racial, oferecendo comunidades e treino que o alimentam. O impacto potencial é amplo, incluindo violência física offline e ameaças ao bem-estar.

F. Estas recomendações baseiam-se na psicologia e em disciplinas relacionadas (abril de 2023). Os estudos citados envolveram milhares de adolescentes que passaram por avaliações padronizadas de funcionamento social, comportamental, psicológico e/ou neurológico, além de relatarem (ou serem observados) em interações com funções ou conteúdos específicos das redes sociais. No entanto, há limitações:

 

    1. Poucos estudos estabelecem relações de causa e efeito, pois os dados necessários são difíceis de coletar ou estão restritos a empresas de tecnologia;
    2. Há escassez de pesquisas longitudinais de longo prazo (vários anos), pelo que os efeitos do uso das redes sociais na vida adulta ainda são pouco conhecidos;
    3. Poucos estudos incluem populações marginalizadas (étnico-raciais, LGBTQIA+, de baixos rendimentos, com deficiências ou condições crónicas de saúde/desenvolvimento).

 

Fonte: American Psychological Association

Foto: Marco Wolff by Pixabay